Acompanhei durante 4 dias uma série de
eventos internacionais em Nova York para discussão do BRICS (Brasil,
Rússia, Índia, China e África do Sul) e principalmente a posição do
Brasil no bloco e os próximos avanços do país na política internacional e
seus cenários para 2013.

O principal evento com sede na Columbia University, comandado pelo
diplomata brasileiro, Marcos Troyjo que é diretor do BRIC Lab da mesma
universidade, apresentou uma série de painéis sobre o presente e o
futuro do BRICS, e categórica presença do Brasil como força motriz,
tanto de forma diplomática, como também de nova economia mundial.
Os eventos contaram com a participação do Presidente da Câmara dos
Deputados do Brasil, Marco Maia, e os deputados federais ACM Neto, Bruno
Araújo, Vanderlei Siraque, Arnaldo Jardim, entre outros diplomatas e
técnicos do governo brasileiro para questões internacionais.
O evento contou com diversas participações da diplomacia e academia
internacional, com visões claras de uma revisão de políticas
macroecômicas, cambiais e também sobre aspectos de defesa internacional.
No evento BRICs: The Quest for Global Growth, a grande preocupação
dos diversos diplomatas e dirigentes empresariais dos países que formam o
bloco, sempre está atrelado no crescimento e desenvolvimento
sustentável, e neste ponto o Brasil se tornou uma força motriz, onde o
crescimento do país precisa estar atrelado a um projeto próprio de país,
e não simplesmente em programas de governo ou de partidos, mas sim com
uma proposta única, com uma identidade única. Para todos os deputados, a
questão é categórica, mas a força e a vontade já são outras questões.
Todos os países do bloco, de alguma forma perdem de longe para a
democracia brasileira, mas ao mesmo tempo buscam projetos próprios para o
seu desenvolvimento, veja o caso do investimento em tecnologia e
educação desenvolvidos por Índia e China, mesmo não atendendo as
necessidades pontuais, geram projetos próprios para o desenvolvimento
econômico e social dos países, mesmo que levem mais de 100 anos, mas sim
terão países evoluídos no futuro, assim esperam.
Um dos pontos de destaque do evento, foi a grande preocupação que os
países têm em relação aos investimentos no Brasil, pois a informalidade
de processos na cultura de negócios brasileira, a alta carga tributária,
o burocrático sistema fiscal, a falta de mão de obra altamente
qualificada local e a corrupção são os entraves para o desenvolvimento
de maiores volumes de investimentos. Claro que não se deve comparar o
Brasil a outros países da América Latina e da Ásia, mas o momento
oportuno para o país, precisa ser revisto no sentido de desenvolver um
novo projeto de país. A revisão tributária do país precisa ser pensada e
trabalhada de forma urgente.
Em almoço oferecido pelo Conselho das Américas aos representantes
brasileiros (eu incluído), o diplomatas dos Estados Unidos e da Europa
enalteceram o trabalho do governo brasileiro, mas cobraram posições
sobre a revisão tributária e o investimento em educação, pois um país
com a grandeza do Brasil, não pode admitir a falta de profissionais
estratégicos, e principalmente em desenvolver um processo de inovação
continua. A cultura do Brasil precisa ser revista, onde educação para
muitos jovens é algo chato. Na verdade a educação para o século XXI será
o grande projeto de Brasil.
Um país com a riqueza que o mesmo tem, não é permitido, ou aceito
pela comunidade internacional não ter um projeto próprio. Hoje o BRICS
exige isso, e nós brasileiros mais ainda.
Por Fábio Pereira Ribeiro, Exame