O
presidente do Egito, Mohamed Morsi (foto), visita o Brasil esta semana
acompanhado de uma delegação empresarial. Na manhã desta quarta-feira
(8/5), os empresários egípcios participam de uma rodada de negócios com
companhias brasileiras na Câmara de Comércio Árabe Brasileira, em São
Paulo.
De acordo com o
diretor-geral da Câmara Árabe, Michel Alaby, vão participar de 25 a 30
empresas egípcias “interessadas em exportar, importar e formar parcerias
estratégicas” em setores como autopeças, agroindústria, cimento,
educação, energias renováveis, fertilizantes, gás natural,
investimentos, reciclagem, siderurgia, informática, telecomunicações,
entre outros.
O evento vai
ocorrer das 09 às 14 horas e as inscrições estão abertas para companhias
brasileiras que queiram participar (ver detalhes abaixo).
“É
uma oportunidade para alavancar ainda mais o comércio e para conhecer
os novos players do mercado egípcio”, destacou Alaby. A organização é da
Câmara Árabe e do Escritório Comercial do Egito em São Paulo.
Morsi
foi o primeiro presidente eleito democraticamente no Egito após 30 anos
de regime de Hosni Mubarak, que renunciou em 2011 em meio aos protestos
da Primavera Árabe.
Entre
os principais desafios do mandatário que assumiu em meados do ano
passado está a estabilização socioeconômica de seu país. Nesse sentido, a
visita ao Brasil terá foco importante nas questões políticas e sociais.
O
porta-voz do governo egípcio, Ehab Fahmy, disse recentemente à agência
de notícia oficial do país árabe, Mena, que o objetivo da viagem é
fortalecer os laços nas áreas comercial, econômica, industrial e para
atrair mais investimentos brasileiros.
O
presidente vem acompanhado de vários de seus ministros, de pastas como
as das Relações Exteriores, Investimentos, Cooperação Internacional,
Energia, Ação Social, Agricultura e Abastecimento.
O
Brasil será o último integrante do grupo Brics visitado por Morsi, que
já esteve na Rússia, Índia, China e África do Sul, os quatro outros
membros. Em entrevista a um jornal indiano em março, o presidente disse
que espera que um dia o Egito venha a fazer parte do bloco, criando o
“E-Brics”.
Neste período
pós-revolucionário, o Egito luta contra a desvalorização da moeda, a
libra, a redução das reservas internacionais e o desemprego.
Nesse
sentido, a atração de recursos externos é uma prioridade. Nos últimos
meses, o país conseguiu auxílio financeiro de outras nações e negocia um
crédito de US$ 4,8 bilhões com o Fundo Monetário Internacional (FMI).
O
Egito alterna com os Emirados Árabes Unidos a posição de segundo
principal destino das exportações brasileiras ao mundo árabe, atrás
apenas da Arábia Saudita.
Segundo
dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior
(MDIC), as vendas do Brasil aos egípcios renderam mais de US$ 2,7
bilhões no ano passado, um crescimento de 3,35% em relação a 2011.
Os
principais itens embarcados foram açúcar, carne bovina, milho, minério
de ferro, carne de frango, fumo, trigo, chassis com motor para veículos,
motocompressores e gado em pé.
Na
outra mão, o Egito foi o oitavo maior fornecedor do Brasil entre os
países árabes no ano passado, com US$ 251,5 milhões em negócios.
Os
principais itens da pauta foram ureia, superfosfato, pneus, vidro,
chapas de polietileno, aparelhos de barbear, cimento, algodão e fios de
algodão, parafina e produtos médicos.